Dívida Técnica – O que é isso e como isso muda algo nos projetos sob minha responsabilidade?

Você já ouviu falar de Dívida Técnica?

Fui conhecer esse conceito, com esse nome, nas últimas semanas e acredito que essa contextualização pode trazer um pensamento interessante. Vou pegar o exemplo que usei no Instagram noutro dia e que veio de uma situação de um amigo arquiteto.

Imagine que você está construindo sua casa e o arquiteto solicitou a instalação das pingadeiras nas janelas – mecanismo que fica na parte de fora da janela e tem, por objetivo, manter a estrutura abaixo da janela sem manchas ou deterioração proveniente da água que corre da janela – e as pessoas que construíram essa casa acabam instalando sem atender a alguns requisitos mínimos:

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  • Não tomaram o cuidado de manter os 2 cm “para fora” da janela, de modo a evitar que a água corra pela parede e, de fato, pingue no chão;
  • Não mantiveram a pequena inclinação para que a gravidade faça sua parte e a água corra no sentido do interior para o exterior, evitando água parada na parte de fora da janela;
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  • Aqui ele mostra de forma simplificada, como deveria ter ficado

E teve mais um bônus, ainda.

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  • Além de terem preenchido o espaço entre o marco da janela e a parede com material não ideal

O resultado dessa dívida técnica foi altíssimo. Foi necessária a remoção completa dessa instalação e a reinstalação das pingadeiras e marcos com os materiais corretos, para não existirem infiltrações e deterioração da pintura antes do prazo de manutenção normal desses mesmos componentes.

O prazo da obra estaria sendo atendido, os erros estariam sendo escondidos, mas os juros viriam no futuro próximo.

Essa é a dívida técnica desse projeto: A instalação errada das janelas e pingadeiras, devido a uma má execução em detrimento de menos esforço e mais velocidade na obra.

Conceito técnico seria: o resultado das tarefas de desenvolvimento pendentes como tipo de dívida que trazem um benefício de curto prazo para o projeto. Frequentemente buscando um aumento de produtividade ou menor tempo entre lançamento de versões, milestones ou entregas do produto final, mas que podem ser pagas com juros mais tarde no processo de desenvolvimento.

Menos técnico: atalhos escolhidos para entregar um projeto mais rapidamente sem prestar tanta atenção quanto à qualidade dessa entrega.

O famoso provisório permanente.

O que o arquiteto fez no caso acima foi contabilizar e já realizar o “pagamento” dessa dívida antes mesmo de colocar o projeto em operação – a entrega da casa.

Esse é o preço de uma dívida em projetos. O exemplo se aplica bem para projetos de implantação, atualização de ambiente ou desenvolvimento de Software.

Quantas vezes isso acontece diariamente, semanalmente ou mensalmente com algum de vocês? Como você contabiliza essas dívidas e como as paga?


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